Vida

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Porque não vale a pena tentar calçar sapatos que não cabem em seus pés.

Quando verdadeiros, nunca seremos mais que pessoas diferentes.

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Nós escolhemos como encarar a vida:

Podemos levar tudo como se estivéssemos a passeio, ou podemos levar a sério o que resolvermos fazer por aqui. Não vou dizer como você deve viver a sua vida, pois cada um sabe a que veio, e se não sabe é porque assim escolheu.

Eu descobri que o modo passeio não funciona para mim. Sei que perdi muita coisa boa e espontânea que poderia ter vivido, mas todas as minhas tentativas de ser imatura sempre foram forçadas desde que me conheço por gente.

Então ao invés de tentar viver essa vida jovem e desprendida resolvi assumir minha velhice precoce e entediada, praticamente (completamente) sem amigos e dedicada a aprender coisas que interessam a quase ninguém, e não me envergonhar mais por meu jeito chato de ser. Chato mesmo porque eu nunca fui e nunca serei o tipo de gente excitante e interessante que atrai atenções.

Apesar de sempre ter procurado aprovação e atenção, hoje sei que o que preciso de verdade é de equilíbrio. Equilíbrio de humores, emoções, atitudes. Aprendi que tentar ter milhões de amigos e histórias para contar não fará com que eu me sinta em paz. Porque é de paz que preciso, e tentar ser alguém diferente não me trará isso.

Por fim não há nada de errado em sermos quem somos e sermos diferentes, não no sentido em que a mídia tornou moda, mas realmente diferentes do que é esperado.

Afinal de contas, não estamos aqui para satisfazer expectativas alheias. Estamos aqui para irmos ao encontro do que esperamos e planejamos para nós mesmos, independente da maneira como escolhemos chegar até lá.

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Só quem sabe o porque da vida é capaz de suportar o como.

(Nietzche)

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Agora eu sei o quanto basta à ceia do coração
e o quanto sobra do naufrágio
das nossas utopias.

Agora eu sei o que significa a fala dos mortos
e esta parábola soterrada
que jorra das veias da pedra.

Agora eu sei o quanto custa o ouro das palavras
e este pacto de sangue
com as metáforas do tempo.

Agora eu sei o que se passa no coração de treva
e do homem que morre mendigando
a própria liberdade.

Agora eu sei que o pão da terra nunca foi repartido
com a nossa pobreza
e com a solidão de ninguém.

Agora eu sei que é preciso agarrar a vida
como se fosse a última dádiva
colocada em nossas mãos.

(Francisco Carvalho)

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– O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

(João Cabral de Melo Neto)

João Cabral de Melo Neto

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Isso não quer dizer que os livros não sirvam para nada. Eles nos ensinam coisas, podem até nos ensinar um pouco, quando são grandes livros, a viver e a amar. Mas, mesmo então, não são essenciais: só valem a serviço da vida.

(André Comte-Sponville)

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Que podemos encontrar força, verdade, coragem, nos livros, é claro que concordo; mas encontraremos tanto mais isso tudo quanto menos tivermos ilusões sobre eles e, aliás, sobre a vida. É o seguinte: gosto da literatura e da filosofia por sua carga de desilusão; como poderia gostar dos livros que se alimentam (até ficarem obesos!) com a ilusões que têm a seu próprio respeito? Gosto dos livros pela verdade que desvelam; como poderia gostar dos que apenas acrescentam um véu a mais, ainda que este seja suntuoso ou raro? Gosto dos livros que se põem a serviço da vida; como poderia gostar mais deles do que dela, ou deles no lugar dela?

(André Comte-Sponville)

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meu próprio enterro eu seguia.
Só que devo ter chegado
adiantado de uns dias;
o enterro espera na porta:
o morto ainda está com vida.

(João Cabral de Melo Neto)

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Haverá maior falso
que imaginar-se alguém vivo?

(Carlos Drummond de Andrade)

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Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.

(Vladimir Maiakóvski)

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Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.

(Sierguéi Iessiênin)

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